Memória nas Interfaces_

do audiovisual às audiovisualidades soterradas

Gustavo Daudt Fischer

CNPq
Unisinos
Tcav

Você já parou para pensar onde as mídias morrem?_

A pesquisa proposta neste projeto visa dar continuidade a estudos já realizados pelo coordenador-proponente (Fischer, 2008; 2012) que tiveram a web como fonte principal para o recorte dos objetos empíricos e na análise sobre as interfaces – mais compreendidas como gráficas (herança da expressão Graphical User Interface ou GUI), mas em seguida entendidas como culturais, nos termos que propõe Lev Manovich (2001) - o modo de operar teoricamente com as questões vinculadas ao campo das audiovisualidades (entendidas como qualidades ou devires audiovisuais que se atualizam em diferentes mídias). Nesse sentido, é necessário assinalar que a presente proposta visa deixar de considerar apenas os processos de remediação (Bolter e Grusin, 2000) presentes no design de interface de websites – mapeados ao longo do tempo – para passar a propor uma cartografia de construtos específicos enunciadores de memória da web e de softwares (games, sistemas operacionais, entre outros) na web.

Screenshot do site TheRestartPage.com_
Screenshot do site TheRestartPage.com_



Objetivos da pesquisa_

Consideramos que o projeto tem como objetivo geral o desenvolvimento de uma cartografia (mapeamento) de websites através do trânsito pelos sites do corpusdesenhando territórios dinâmicos para instituir mapas e constelações que permitam fazer ver os construtos de memória da/na web entre os audiovisuais brilhantes e audiovisualidades soterradas. Dessa maneira, os objetivos específicos se desdobram em desenvolver um conjunto de reflexões (aprofundamento) sobre:- os conceitos de memória, interfaces e audiovisualidades; - interfaces (culturais) de sites e softwares – aspectos genealógicos principalmente; - a web enquanto meio; Metodologicamente, acrescentamos como objetivo específico, a proposição de formas (procedimento, técnicas, experimentações) de apropriação – neste momento mais fortemente considerados como movimentos escavatórios (ver item 4) das interfaces web nas quais coalescem audiovisuais brilhantes e audiovisualidades soterradas. Além disso, é importante mencionar que a pesquisa pretende constituir um banco de imagens, justamente oriundo dos procedimentos escavatórios que serão realizados com as interfaces do corpus.

Screenshot do site TheRestartPage.com_
Screenshot do site TheRestartPage.com_

Metodologia_

Entendemos que a dimensão metodológica cumpre papel essencial na formulação do problema de pesquisa a ser endereçado na medida em que convocamos conceitos que dialogam muitas vezes com determinadas atitudes de pesquisa. Assim, ao desejarmos autenticar audiovisualidades soterradas em construtos enunciadores de memória de sites e softwares que outrora brilhavam, ainda que confinados, em seus estados originais (por assim, complicadamente, dizer), acreditamos que nossa abordagem metodológica passa muito (mas não apenas) por ideias desenvolvidas por autores que têm se inscrito dentro daquilo que se vem denominando como “arqueologia da mídia”.

É fundamental explicitar, porém, que o campo de investigações sob essa designação tem revelado uma variedade significativa de inflexões que, se são positivas pela ideia de método como invenção, também servem de alerta para não deixarmos nosso foco nas autenticações de audiovisualidades se perder. Segundo Huhtamo e Parikka (2011), os arqueologistas da mídia, baseados em suas descobertas, começaram a construir histórias alternativas das mídias suprimidas, negligenciadas e esquecidas, nas quais os “becos sem saída, os perdedores e as invenções que nunca se tornaram um produto final possuem histórias importantes [...]

Diagrama de Lorem Ipsum Dolor Sit_
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O projeto_

Talvez um dos truques mais bem-sucedidos das Graphical User Interfaces (GUIs), quando passamos a encontrar nelas a colorida, hipertextual e janelizada world wide web (mas quem sabe também antes mesmo disso, com os softwares off-line cujo funcionamento disparamos pela abençoada metáfora do desktop), seja o de nos propor que há um lugar ou destino específico para o audiovisual: “ser vídeo”. Aprendemos, como usuários comuns, que o audiovisual é formato que se encaixa e se fixa em determinadas situações (páginas web). O audiovisual seria, como dizem os protagonistas do mercado de comunicação digital (os realizadores, por que não dizer?), parte cada vez mais relevante da ideia de “conteúdo”. Prova disso seria a voraz ocupação que ele vem obtendo em ambientes on- line, dadas as possibilidades crescentes de sua inserção e encaixe em páginas de portais, hotsites, blogs e tantos outros construtos da web. Esse audiovisual que me refiro é identificado no senso comum como “vídeo” e sua execução se dá, normalmente, pela presença de uma

janela-player embutida, confinada, encaixada em uma webpage.16 No entanto, nessa descrição trata-se apenas de um possível jeito de “estar vídeo” ou, em uma perspectiva bergsoniana, o vídeo é uma virtualidade que se atualiza de diversas maneiras em inúmeros construtos da web.17 Dessa forma, podemos considerar outros tantos materiais que – à primeira vista – nos retiram a sensação de estarmos diante de uma janela-player. Pensemos em animações em flash que fizeram parte (o tempo cronológico do passado aqui também é uma armadilha que em breve voltaremos a abordar) de hotsites publicitários18, os GIFs animados ou os Cinemagraphs, navegações pelo Google Street View, slideshows, entre inúmeros outros. Dizer que estes últimos são “menos” vídeo do que os do tipo “janela-player” é criar duas dificuldades. A primeira diz respeito a rasgar a ideia de pensar na perspectiva das audiovisualidades. Não há dúvida de que a web possa ser potente de objetos empíricos que permitam o estudo das audiovisualidades [...]

Banco de imagens - os construtos de memória das/nas mídias_

The Evolution

O The Evolution é um projeto que procura reproduzir um mesmo website com as diferentes tendências de design de acordo com o ano. 1991, 2007, você escolhe.

Screenshots (prints de tela) do The Evolution
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One Terabyte of Kilobyte Age

Desenvolvido por Olia Lialina e Dragan Espenschied, o perfil do Tumblr "One Terabyte of Kilobyte Age" revive, por meio de screenshots, as home pages do, já encerrado, GeoCities

Screenshots (prints de tela) do One Terabyte of Kilobyte Age
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ArchiveTeam

"A Archive Team é um coletivo informal de arquivistas, programadores, escritores e faladores desonestos dedicados a salvar nossa herança digital" (https://archiveteam.org/)

Screenshots (prints de tela) do ArchiveTeam
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The Restart Page

The Restart Page - reviva a experiência da inicialização de sistemas operacionais descontinuados pela obsolescência programada em este experimento que audiovisualiza a experiência "banal" e "entediante" que tínhamos esperando nossos computadores "começarem".

Screenshots (prints de tela) do The Restart Page
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The Internet Archive

The Internet Archive 1996 - 2016 - Coleção de screenshots das principais webpages do Internet Archive, utilizando o próprio serviço "The Wayback Machine" para realizar as escavações no tempo.

Escavações no internet archive - telas de 1996-2016 (banco de imagens)
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Contribuições científicas_

Consideramos que os estudos de Cibercultura, Audiovisual e História das Mídias estão devidamente constituídos em diversos projetos e grupos de pesquisa e sua relevância é indiscutível no campo da Comunicação no Brasil. Partindo dessa premissa, entendemos que nossa problematização pode exercitar algumas transversalidades entre esses estudos em termos de metodologias, conceitos e objetos. Para os estudos de cibercultura, acreditamos na contribuição ao propor reflexão sobre materiais extintos diante da efervescência da recorrente convocação ao estudo dos objetos recentíssimos em trabalhos sobre mídias online (também necessário, claro). Nos estudos de audiovisual, ao analisar audiovisualidades soterradas em relação aos estudos de TV, por exemplo, que por vezes privilegiam o teor conteudístico ou diegético dos materiais em suas análises. Ou, em relação aos estudos sobre História das Mídias, ao propormos problematizar a memória enquanto “aberta a dialética da lembrança e do esquecimento” conforme fala Pierre Nora (1984) em relação a uma história narradora de acontecimentos com estatuto de verdade.

Screenshot do site One Terabyte of Kilobyte Age_
Screenshot do site One Terabyte of Kilobyte Age_

Referências_

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Blog/News_

Coordenador do Projeto de Pesquisa_

Gustavo Daudt Fischer

É graduado em Publicidade e Propaganda pela UFRGS, com mestrado e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Atuou na área de criação publicitária no começo de sua carreira até seu ingresso como docente na UNISINOS em 2001. A partir de então passou a atuar em diversas atividades de gestão, docência e pesquisa na instituição, iniciando na comissão de coordenação do curso de Comunicação Social - habilitação Publicidade e Propaganda (2001-2003) e em seguida liderando a equipe que desenvolveu o projeto político-pedagógico da inédita habilitação de Comunicação Digital, coordenando o curso entre 2004 e 2008. No desdobramento acadêmico de seus estudos na pós-graduação em Comunicação, passou a trabalhar com o campo das interfaces digitais e suas propriedades midiáticas. Ao concluir seu doutorado, foi convidado a se integrar ao Programa de Pós-Graduação em Design da UNISINOS e coordenar a Escola de Design da Universidade entre os anos de 2009 e 2010. Entre 2011 e 2014, fez a gestão dos cursos de bacharelado da Universidade. Também em 2011 passou a integrar o Programa de Pós-Graduação em Comunicação, na linha de pesquisa Mídias e Processos Audiovisuais. É um dos líderes do grupo de pesquisa Audiovisualidades e Tecnocultura: comunicação, memória e design (TCAV). Desde agosto de 2015 é Coordenador do Programa de Pós-Graduação dem Ciências da Comunicação da UNISINOS. É vice-coordenador do GP Estudos de Televisão e Televisualidades da INTERCOM (2017-2018). Seus temas de pesquisa lidam com as interfaces digitais, web, memória das e nas mídias online e procedimentos metodológicos relacionados à arqueologia da mídia .

Gustavo Daudt Fischer



Escavadores_

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